terça-feira, 2 de julho de 2013

Fantasma

Você tinha morrido por um tempo
Lembro de ter visitado seu túmulo várias vezes e levando flores
Toda vez que você morria eu ia na sua sepultura
Juro que pensei que sua alma tinha descansado para sempre
Você não morre, é incrível, é chato
Fui novamente ao seu túmulo e você tinha voltado, sempre belo e com aquele ar de solidão que me deixa feliz
Amo sua solidão que ressuscita, que me ressuscita, que sempre volta
Mas eu cansei do seu fantasma ao meu redor
Por que não morres realmente?
Não posso tocá-lo, beijar seus lábios rosados, não posso ter sua arrogância fingida, sua fragilidade
Não volte a me assombrar com o que nunca existiu
Há somente aquelas lembranças da sua melancolia perene
Volte para seu túmulo
Não levarei mais flores dessa vez

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Sua morte em mim



É melhor que você morra pra que eu deixe de te escrever
É melhor que você morra pra que eu leve flores ao seu túmulo
É melhor que você morra por que sua ausência física me alegraria


É melhor que você morra pra eu pensar que você já não existe, e é o melhor

É melhor que você morra na minha mente

É melhor que você morra e só assim eu poderei te amar sem remorso

É melhor que sua morte em mim venha e que a notícia chegasse de uma vez e para sempre ficasse, a sua morte em mim...

É melhor que você morra pra junto da tua cova enterrar minha dedicação a te, minha renúncia de mim mesmo, minha melancolia por sua ausência viva, de quem quero que morra, morra em mim, morra de uma vez, apodreça e esvaneça distante da minha felicidade

É melhor realmente que você morra e pare de respirar meu ar, de invadir meus pensamentos, de coibir o andar da minha rotina, de me fazer gastar pensamentos com sua matéria viva; morra meu bem, morra que eu preciso te enterrar, morra que eu preciso te esquecer

domingo, 16 de setembro de 2012

Lista Não Perecível


Eu preciso das suas delicadezas,
Dos seus lenços cheirosos,
Das suas anedotas sutis,
Dos joelhos redondos,
Dos sapatos singelos,
Dos beijos com demora,
Do ato,
Do teu suor após o ato,
Dos nossos planos juvenis precipitados,
Das nossas conversas intelectuais,
Do teu bumbum empinado,
Das tuas camisas desajeitadas,
Da tua voz baixa,
Tua barba fininha,
Tua mão lisinha,
E, antes de minhas necessidades serem atendidas, preciso do teu perdão em CAIXA ALTA

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

As Loucuras Que Eu Fiz


A loucura que eu fiz foi te amar sem me amar
A loucura que eu fiz foi te dizer meus frágeis sentimentos
A loucura que eu fiz foi deixar-me dependente de você
A loucura que eu fiz foi te dá créditos sem desconto
A loucura que eu fiz foi te buscar amarrado
A loucura que eu fiz foi te fazer mal sem motivo de vingança
A loucura que eu fiz, dentre tantas loucuras, foi deixar-me não te esquecer
Remorso nutrido com os dias quentes
Sua imagem, sua assombração piedosa, meu medo...
Tudo por que não sabia eu que loucos não sabem amar
Amar é uma loucura para os sãos

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Auto-Acordo


Veja só Meu Amor, você não é mais Meu Amor

Eu continuo exclamando esses vocativos tolos, continuo nesse convencimento naturalmente despertado
Veja só, meu ex-amor na visão terceirizada da situação, essa condição sentimental problemática

Eu tenho sonhos contigo, com seu perdão e compreensão ilusionalmente compreendidos, realmente não, 
realmente acordo e me deprimo com o verão

Eu não te vejo por aí, mas meus olhos sempre te vêem, meus poemas sempre falam de você e te ver por aí seria o caos, seria concretamente comprometedor para minha rotina ociosa

Vamos fazer um trato, um trato não-relacional, um trato em que você concordaria na minha mente em deixar minha mente, por que só te tenho assim e, contudo, a vida concreta está prejudicada, vamos então?

Meu ex-amor faça da minha mente sua ex-mente, eu te ajudo, aliás, eu me ajudo

Me ajudo?

terça-feira, 31 de julho de 2012

...

Tenho dentro de mim varios sentimentos prontos para serem compartilhados, um carinho e um amor que não cabem em mim.


Alexandre Andrade

domingo, 8 de julho de 2012

Semestre


Fim do semestre, monte de trabalho, monte de convite, nada de dinheiro... Enfim.  Eu passei metade do tempo me dedicando ao passado, tentando reaproveitar minha consciência e poder fazer daquilo que se foi uma etapa, fazer do meu choro desesperado um inevitável momento de decepção. Não dá, não houve decepção, houve incompreensão, insegurança e falta de umas mãozadas.
Ainda fico nessa expectativa de poder te encontrar e nesse encontro você vai me abrir um sorriso e dizer que me perdoa e que posso te perdoar também (nem tudo é unilateral nessa história!). Algumas pessoas viam que eu estava bem contigo, isso não chega nem perto do que eu sentia, não era só um simples “estar bem”, eu tinha felicidade ao teu lado, tinha segurança, tinha um grande amor e poderia compensar a ausência de qualquer romance pelo resto da vida, poderia sim.
Há alguns meses venho tentando me acostumar a não mais me lembrar de te e, por fim, quero apagar seu nome da agenda do meu telefone. É, eu olho seu nome na lista e fico pensando no que pode acabar  quando se está com a cabeça fora do lugar e um celular na mão. Não quero transferir minha responsabilidade, nunca! Quero a realidade, a realidade mais viável pra poder ficarmos juntos com todo rancor que possa existir. Viveremos na imperfeição assumida, no ódio por atos idiotas, na consciência de que tudo aquilo que estaremos tentando construir novamente já virou merda um dia e que agora teremos milhões de razões pra sermos pacientes (eu?).
Eu não consigo entender. Na verdade eu não consigo internalizar valores básicos pra que uma relação exista. Há certas coisas imperdoáveis e por aí começa minha falta de noção pra entender que não posso fazer propostas de “entendimentos” quiçá viverem em um grande amor e ligações durante o dia.
Já que ainda é difícil pra que eu entenda tudo isso, que eu me conforme, esqueça e siga em frente, queria ao menos que entendesse somente isso, internalize essa minha incompreensão toda, aflição, afinal, eu errei feio, mas só por que eu estava sentido felicidade, isso mesmo, a felicidade.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

O Amor Possível


Você queria me ver apaixonado
Queria me ver planejando
Queria me ver te cobrando presença, reclamando tua ausência
Ah, queria...
Mas estou aqui meu amor, de corpo e com a alma longe...
Estou aqui meu amor e o que importa mais senão o corpo?
Venha me ver, me traga favores, me traga sua consideração
Venha me ver, me fale dos amigos que te amam
Eu estou grato
Não queira me ver apaixonado, queira minha existência
Queira o que está mais próximo do coração, somente onde posso ir
Assim, com o corpo, retraído, mas seu, pois, minha alma darei quando devolverem 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Poema de um Amor tão pouco

Nosso Amor quase não existiu
Tão pouco foram os momentos juntos
E agora só lembro de quando você partiu
Deixando aqui sofrimentos muitos


Mesmo com essa efêmera alegria
Tu marcastes profundamente meu viver
És uma lembrança no meu dia-a-dia
Que tão logo não vai se esvanecer


Pois aqui reina uma intensa tristeza
De um convívio que foi bem pouco
Mas é necessário que preparado esteja
Para que quando acabe não fiques louco


Fostes em mim um inusitado Amor
Que bruscamente assim me iludiu
Não pensei que me traria tanta dor
Um amor que quase não existiu


Para K. Matos

domingo, 15 de janeiro de 2012

Pequeno

Não chore meu pequeno, minha culpa se materializa nas suas lágrimas
No seu olhar por natureza triste que agora se desespera por conta do meu egoísmo
Há sim pessoas boas que vivem o que for sendo e estão preparadas para o mundo
Há quem nunca esteja e toda perda traz à tona essa inaptidão
O amor é valioso mas ao mesmo tempo perigoso
Você mente, eu sofro, você age com frieza, eu surto, você se isola e eu vou te buscar
Te busquei de forma errada e ainda tirei seu mundo e o coloquei em outro que ainda não estava construído
Agora você tenta se equilibrar para não cair em um buraco negro
Você ainda cheira em mim como uma fruta, suculenta, porém de textura frágil
Era você meu pequeno, meu orgulho
Meus olhos, agora taciturnos pois, sem o prazer de te observar e tocar tua linda existência
Era sua tristeza meu amor, era somente sua tristeza, e fazíamos disso felicidade
Eu tentei nadar, eu juro, eu tentei ser um habituado a ausência surpresa
Mas mesmo com tanto amor o medo ainda me guiava
Eu estava me afogando no seu mar, na sua volatilidade
Ah meu amor, ainda o tenho assim, sem nada mudar, por que fiquei louco
Você me odeia, entendo tudo
Não me odeie agora por que quero pensar que mesmo tendo tirado seu mundo no meu mais completo desequilíbrio, acredito piamente que seja capaz de construir um novo mundo onde poderá habitar e viver o que for sendo com aptidão

sábado, 14 de janeiro de 2012

Pesadelo

Eu, por natureza triste
Eu, por natureza pensante
Eu, por natureza paranóico
Eu, por natureza, desejo alegria
Eu, por algo maior do que eu, machuquei pessoas tão boas
Eu preciso de algo que me situe
Olho o mundo, olho as coisas
Parece que só consigo ser isso
Ainda reside em mim o sonho, mesmo sofrido e desgastado, de recuperar ou mesmo ganhar a beleza
A beleza de encontrar o mundo e isso não ser torturante

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Fada


Sou triste por não te ter
Sou assim, sem esperanças
Por ter em mim uma lembrança
Do que não vai acontecer

Sou tão solitário entre todos
Pois ninguém é companhia
Se não você, quem me traria
Vida feliz, cheia de gozos?

Eu sou a vida acabada
Um menino sem um homem
E que talvez até ontem
Seguia reto a sua estrada

Tudo em mim é triste e distante
Vivo chorando no meu quarto
Meus pesadelos, que estou farto
Não me deixam um só instante

Sou o tudo e o nada
O que sou é o que sinto
Mas se perguntam, logo minto
Que sou feliz como uma fada.

Ciclo

Anticoncepcional
Não-conceber isso como verdade
Tomar constantemente o erro e o seu desastre
A atualidade dessa não-concepção
Recente como a consciência fervendo de um crime hediondo
Remorso requentado diariamente
O ciclo se inicia, números inteiros, reta numérica oscilante, medição imprecisa; em fim, tudo é atual
Não-conceber:receita nova, mudança de atenção
Matar a estética e somente observar
O neutro do amor remediado com alguma forma de não-conceber o sentimento instável e deixá-lo vagando no organismo sem, contudo, fecundar seu não-maniqueísmo torturante
O simples, o bobo, a infelicidade comum inconsciente!
Volto a cultuar, volto a cultuar.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Sentindo Isso


Durante algum tempo nem percebi
Era louco
Estava morto
Olhei-me lentamente
Vi apatia, melancolia...
Chorei ontem
Senti tanto
O que fizeram comigo?
O que há em olhos amarelos?
Só procuro, nada mais
Tenho sentimentos, tenho raiva
Você nem me conhece e me abandona
Estou dolorido
Suas palavras sem motivos...
Por isso chorei? O que fiz?
Eu queria tão pouco
Realmente sou repugnante
Você tem um lindo bumbum
Estou sem nexo agora (sempre).

sábado, 24 de julho de 2010

Carta ao Presente Momento


Preciso escrever isso pra poder rir depois
Como sempre acontece nesses momentos
Momento este que abro meus sentimentos sem ter medo de quem irá ler
A tristeza nunca me foi tão presente, mas estou escrevendo, eu preciso
Meu acordo é perpetuar essa fase tão peculiar, como tudo que me é singular e eu anoto
Depois eu lembro do momento e vejo que era ridículo mas que merecia ser eternizado
Quero deixar isso bem aqui, nessas linhas digitadas, que por preguiça não escrevi em folhas de papel
Esqueça de mim momento, você está aqui sacramentado, precisa mais de que?
Juro te dá mais atenção ao te ler, mas por favor devolva toda a minha animação, não é sua, não vendi nada
Todos já sabem que não sou de pedra, mas eu precisava parecer ser
Eu fui no coração selvagem, e cá estou, com jeito de onça, brabo
Prometo não mais usar de vida nenhuma pra encontrar felicidade
Devo buscar isso tudo em mim primeiro e sei que não fez mais que o certo porém dói muito
Estou igual criança, ou sou uma?
Espero ser atendido Senhor
Atenciosamente


Ser Humano

domingo, 18 de julho de 2010

Poema da Carne Suja


Meu desejo
Meu desespero
A mercê de uma falsa identidade
Sofrendo por um sorriso sem vontade

Onde encontro tua forma verdadeira?
Na lixeira?
Incomoda-me tua infinita besteira

Ando a mercê de uma prisão de libido
Meu infinito desejo
Carnal
Anal
Tua infinita insaciação é o retrato desse desespero
Me deixa!
Me larga!

Essa tara ainda vai acabar
E eu vou procurar uma criatura verdadeira
Que não precise me chupar a noite inteira pra depois chorar

Vá até a lixeira, pegue sua identidade e lave-a, depois se lave!

quarta-feira, 3 de março de 2010

O Amor na Fragilidade do Desejo

Para um mergulho: água? Não! Esqueci do meu paradeiro. Eu vivia num eterno andar aí parei; meus membros se esgotaram; só sei até onde fui, mas todo o resto já sabe o que vai acontecer. Perdi minha credibilidade: ninguém vai me contar o que está porvir. Preciso andar, quero recuperar a vitamina, o vigor. Não posso ser alguém apenas parado, mas sem paradeiro. Alguém poderia me encontrar, alguém me deve explicações sobre a inércia desse momento: eu parei e não sei pra que parei. Parei pra pensar por que ando tanto? Eu ando demais e resolvi saber o que vai ser de mim agora que não prossigo. Vou conseguir me defender? Retrair-me-ei do mal de quem anda que corre riscos, que pensa que a vida é seguir. E se for andar pra trás? Precisamos aprender a sofrer pra ganhar? Só quando sofro é que o medo me vem sem medo. Só quando tenho vontade de parar tudo é que não penso; por um momento eu não existo e como queria fugir desse destino! Essa vida não é seguir: é parar e pensar antes que o fracasso venha? Depois você existe sem sofrer tanto.
Eu parei pra observar os outros andarem. Eu não posso errar, mas também não posso mais acertar. É o jeito andar? Quem pode resolver? Deus? Os ensinamentos? Auto-ajuda? Não quero mais andar com tanto medo. Alguém já se foi antes mesmo de eu pensar, antes de eu vir a existir. Não compreende?
Perdi o controle do saber. Eu era feliz por que acreditava que estando em movimento eu teria a glória de ser gente; a humanidade é poder seguir. Tenho uma ética desorganizada. Quando você está por perto é uma coisa depois tudo se vai. Eu parei pra poder me organizar? Eu era sem padronização? Em 20 anos eu tive vontade de descobrir como era ser gente, fazer a vida ser. Eu parei só pra não me machucar? Não é coisa pouca; quem é gente não entende. Deus é sinal de continuidade. Eu vivo agora na previsibilidade de que nada pode acontecer, pois eu não penso, ainda não existo. Nada pode me ferir quando estou sofrendo além daquilo que me fez parar pra não poder seguir em direção ao que os outros já sabem.
O mês do sol forte me diz muita coisa. Sei de tudo e tenho uma boca inutilizada, o mundo parece que está pedindo uma utilidade. Não posso me doar; entenda que sou assim desde que resolvi deixar a singeleza. Na verdade eu estou sofrendo. É muito sangue em jogo; preciso me enganar constantemente com aquilo que meu lugar no mundo reclama. É um grito de volta, de permanência. Entenda que o melhor foi poder viver como se eu pudesse controlar todas as falhas que por acaso venham a acontecer. Diga-me: eu vou falhar? Eu já sou insuficiente, é tudo que me deixou. Você me fez crer que era bom dizer a verdade e por isso sofro, eu caio no chão e percebo a tolice de querer ser gente, de sentir esse mundo inventado. Eu vou construir um lugar onde eu possa organizar tudo de tal modo que o resto possa andar sem coçar a sobrancelha. Não impeça a vida de ser de outro modo, existem muitas formas de movimentar os sonhos sem que percam sua essência. A essência é estar em risco constante? Vamos ter que comprometer tudo que se tem pra saber até onde vai sua piedade? Ah não! Deixe-me mudar.
Minha vida não pode merecer somente o seu desejo. Em quero parar nesse momento e criar novas alternativas de poder estar. Não esteja como se pudesse ser somente aquilo que o desejo alheio alcança. Transcenda! Abra os cômodos, deixe o brilho do mundo contaminar seu lugar com as possibilidades de seguir. Isto está cada vez mais interessante; posso sentir o quanto de ódio reina no seu lugar. Eu quero um desejo que compreenda que posso ir além do seu alcance, que posso estar parado calculando as mágoas que sua ambição possui. Não me deixe como se eu fosse sem razão; tudo começou por que viver não podia ser apenas a distração das palavras. Precisávamos de sal. A salinidade trouxe a ânsia de poder ser mais com uma companhia. Sua vida está se enchendo como um balão que há pouco era vazio. Sua vida segue, você segue, o seu cachorro segue. É quando você só pode existir assim, de outro modo é o próprio suicídio. Você pára. Estanque aí, viva o que foi vivido e se situe nesta lembrança que assim o mundo percebeu. Se quiser posso compreender de outro modo? Como pode!
Jure agora, se ajoelhe e me implore para que eu esqueça da sua lembrança. Eu parei; só com muito amor eu poderei seguir. O amor era aquilo que eu conseguiria se continuasse fingindo. Na verdade não existe o momento certo de parar, nem sei se pode parar. Eu me confio. Desisto de problematizar a aspereza do mundo. Fui bom e fui modesto; compreendo os outros até o ponto em que não me usam como quero. Sabe-se tanto isso que eu coloquei um véu em mim. Virei alguém que se camufla para não ser incomodado com a terrível dúvida de saber se sou mesmo gente. Esse pedaço não é bom, esse rumo que tomo e assim eu o percebo; mude minha concepção de encarar o fracasso. Será que assim melhoro e prossigo? Como pode reintroduzir em mim novos conceitos sobre a ambição? Eu também quero aquilo que desejo por isso estou parado, meu desejo é lembrar o quanto seria bom se nós não desejássemos mais de uma vez o que já temos nos braços. Eu paro, sei que erro, sei que não posso perdoar o mundo por me fazer crer que só existe essa alternativa. Deixe-me usar minha incompreensão.
Quero a soltura de usar fonemas dolorosos. O que denomino mundo não é merecedor do meu problema. O mundo é a falta de solução? E como sei de histórias como essa! Histórias de raiva e necessidade. Reclame outro roteiro, eu posso te alegrar com diferentes desapontamentos.
No instante que vi o mundo, a este mundo que poderia se resumir ao que rodeia uma forma exterior ao meu lugar, tudo se mostrou como a razão única. Eu que arrisquei a embelezar a vida alheia e agora paro pra não lembrar que se eu continuar só mais um pouco terei que destruir tudo de novo. Isso é uma história de amor meu caro, um amor sem necessidade de existir por que este amor é um sentimento oriundo da vontade de poder conceituar o universo que rodeia um lugar que não é meu. É seu, é seu! Entenda que tudo lhe foi dado pra que usasse só quando eu fizesse o mesmo também; quebramos o acordo para um amor paralelo. Você queria senti-lo todo tempo, já eu era sem rumo quando os dias não se faziam longos; sou assim e não posso me dedicar. Quero encontrar uma vida paralela ao meu lugar. Parei pra saber se esse amor só pode ser assim? E se for?
Tudo acontecerá lentamente, rasgando minha expectativa sobre o mundo. O mundo é saber que eu poderia esperar e ter o aceno de segurança. Quando me lembro da tolice em ser normal, de me apegar com uma causa perdida... Oh desejo infame este que me tornou um conformado em seguir sem análise. Vamos esmiuçar essa relação. Eu quero saber se posso parar e viver o tempo que hoje quero que desapareça; essa sensação de que o tempo é o grande mestre da vida é uma tortura pra quem parou.
Estou procurando meus membros e minha razão para crer no seu olhar que se esquiva quando pergunto se não posso mesmo pensar de outra maneira. A sinceridade desse momento inunda meu lugar como se você fosse o único. Eu já não quero, não posso aceitar as experiências da vida. Juro que sei até onde posso ser depois já não hei de abdicar do sonho de me realizar sozinho, parado, frustrando-me a cada segundo com a idéia de dúvida, a desconfiança que tenho dos meus atos. Sou eu o próprio suspeito de não me realizar de maneira feliz; só na oposição dos sentimentos que você me dava é que eu queria ser gente, só ali.
Eu falho e não se preocupe, pois isto tudo é meu, eu falo de como é ser sem ambição, mas de observar sua tranqüilidade em descartar a singeleza pra poder sonhar como um anônimo. Não se anule, não vista um pedaço de tagarelice que ouviu. Você está aqui por inteiro, eu sinto, porém sua vontade de usar o mundo fez a lembrança disso tudo parecer uma pedra flutuando num copo de água.
Água! Jogue-me tão essencial elemento no meu lugar e o limpe de toda a ambição que um dia eu possa ter e começar a andar, o andar de busca. Não posso parar de andar, mas posso andar sem buscar um sonho que já realizei. Eu quero o aprimoramento da essência de sonhar e me sentir realizado eternamente. Palavras buscarei pra mostrar que tudo é simples como escrever tal desabafo. Chore por saber que não posso agüentar mais sua ambição. O que me consome é o seu lugar; quero ter a essência de um sonho sem outro sonho o qual possa destruir tudo como se só pudéssemos escolher e pronto. Posso parar e ver que a vida foi inventada pra ser assim.
Estou na unanimidade do seu pensamento sobre minha imagem: conceba-me de outro modo! O meu tom de aspereza é resultado da sua ingratidão.
Ah meu amor, não se anule! Seja para mim a fênix, sei que não é nada, mas você pode escolher tudo a seu gosto. Eu, por um tempo, pensei que e exclusividade do mundo poderia ser minha, mas eu só queria não ter que escutar a conformidade do fim vinda de alguém que depositei essa exclusividade.
Quando tudo se tornar do jeito que não mais nos admiraremos aí sim poderei olhar os objetos especiais. Sua decisão óbvia e esperada faz parte de um mundo que meu lugar não reclama. Eu preciso que entenda o quanto um desapontamento assim destrói minha expectativa com o lugar que quero. Encontre a solução quando falo que seu amor não existe; sua vontade de experimentar o mundo como se fosse a própria vida é a forma que encontrou pra poder ficar de consciência limpa. Eu estou chocado. A ambição que vejo é o próprio mal da felicidade.
E como um assunto puxa o outro...
A felicidade que encontrei foi a melhor até o momento, contudo essa sensação se tornou irreal quando renunciei a sua vida anônima. No lugar que estava eu realmente deixei de indagar sobre a existência de outras alternativas justamente por que eu não enxergava a sua forma comum. Eu sou especial por que deixei de cultuar um lugar que não deseja estabilidade; se parei foi por que creio que não buscando o lugar que já possuo posso ter a felicidade de me renovar quando souber do risco do desgaste.
Você se anula. Ah meu amor, mostre-me o que tem de especial. Sua consideração com outros não pode concorrer com a minha retórica, além do que a felicidade não pode ser só isso. A felicidade é a sua consciência limpa com um lugar no mundo. O meu lugar está sujo com a sua previsibilidade. Procure alguém que não gosta de inventar a vida; vá e construa a própria cegueira e a distração do que passa quando você apenas existe na sua nulidade.
O resultado já está se mostrando. Você não ganha mais de mim o olhar que dizia ser a ausência da sua exclusividade insuportável. Posso sentir o quanto o amor é irreal, é a própria distração. Estamos bem, vivemos o mundo nas suas expectativas, procuramos os sentimentos pra nos vermos como imortais nas lembranças. Como te engana sofredor! Não ver que estando em busca frenética corre o risco de encontrar com a ideologia de que sua vida só merece ser experimentada? A tolice do mundo é se fazer crente de uma forma desumana de se tratar o que a civilização acha ser o rumo fatal do percurso.
Mostre-se pra mim até que eu veja sua imagem comum, grite pra mim até que eu ouça sua voz como um ruído no lugar que não quero e nem me interesso. Faça-me crer que realmente posso sentir a aspereza do mundo sem essa dependência. Ah meu amor nem sei mais lhe chamar assim. Agora sinto que se tornastes pra mimo próprio anonimato e a cópia fiel que o mundo alardeia de norte a sul como destino de não se poder ter outro rumo senão o de experimentar a aspereza de um lugar que não pode me manter.
Poderei estar seguro da escolha que faço quando também me fizer crer que sou um inventor. Foi tudo que pedi que fosse; era coisa muito complexa pra quem vive da mediocridade e aceita esse empirismo.
Pedi com a vontade de ser isso tudo que foi embora o choque mais perfeito do mundo. A força de sua descarga elétrica a todo meu redor sempre foi a mesma até que um dia você se cansou antes de saber que estava cansado. O mundo lhe disse que estava cansado, o amor era poder seguir quando se estava exausto tendo como anexo dessa vil situação, o abandono.
Criatura previsível, sujeita ao desejo unânime de desestabilizar-se pra poder sentir a vida comum. Não quis que aderisse a tal concepção; eu tenho a vida nas mãos e posso garantir que um desejo assim só pode existir quando seu amor não é seu. Seu amor é frágil e está condenado ao desejo violento de querermos ser gente só quando seguimos em direção ao que nos esgotará até parecermos descartáveis.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

" Desisto e terei sido a pessoa humana - é só no pior de minha condição que esta é assumida como o meu destino. Existir exige de mim o grande sacrifício de não ter força, desisto, e eis que na mão fraca o mundo cabe. Desisto, e para a minha pobreza humana abre-se a única alegria que me é dado ter, a alegria humana. Sei disso,e estremeço - viver me deixa tão impressionada, viver me tira o sono."

Lispector

A Paixão Segundo G.H

domingo, 10 de janeiro de 2010

Sendo

Nesse momento de fraqueza é onde os velhos demônios voltam e fazem a festa
Quando eu sei que estamos por um fio e tudo ao meu redor é cíclico, mas os meus atos negativos, que se justificam em parte por eu ser inseguro, por não me conformar com minha fraqueza. É quando eu me retraio e fico carente, precisando de uma palavra de conforto, aquelas que por incrível que pareça, para alguém como eu, funcionam. Eu sei de mim, dos meus pensamentos, os quais são muito desorganizados e egoístas e é só nessas horas que vejo que de nada me servem essas forma de ser que os meus ouvidos surgem, pois na minha arrogância cotidiana eu só tenho boca

sábado, 24 de outubro de 2009

Poema das mãos lavadas

Peguei o telefone
Disse o que aconteceu
Nada
O que aconteceu
Foi isso
Meu esforço para um enlace
Meu sofrimento por falar demais
Agora eu saio, eu deixo todas as ações
Eu me resigno na minha irracionalidade
Rôo as unhas, rôo o tempo
Fico feliz por saber que estou sem culpa
Mesmo assim eu vou ter que ceder?
Não espere mais... E esperava?
Rôo as unhas, rôo o tempo
Vou chorar de raiva
Vou ficar no meio do tempo
Vou amarrar-me numa cadeira
E lembrar que a culpa é sua o dia todo numa gravação que farei
Num desenho que rabisquei
Numa imagem que eu sei
Que a culpa é sua
E eu o condeno
E eu o condeno 
Lavo as mãos agora