quinta-feira, 14 de junho de 2012

O Amor Possível


Você queria me ver apaixonado
Queria me ver planejando
Queria me ver te cobrando presença, reclamando tua ausência
Ah, queria...
Mas estou aqui meu amor, de corpo e com a alma longe...
Estou aqui meu amor e o que importa mais senão o corpo?
Venha me ver, me traga favores, me traga sua consideração
Venha me ver, me fale dos amigos que te amam
Eu estou grato
Não queira me ver apaixonado, queira minha existência
Queira o que está mais próximo do coração, somente onde posso ir
Assim, com o corpo, retraído, mas seu, pois, minha alma darei quando devolverem 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Poema de um Amor tão pouco

Nosso Amor quase não existiu
Tão pouco foram os momentos juntos
E agora só lembro de quando você partiu
Deixando aqui sofrimentos muitos


Mesmo com essa efêmera alegria
Tu marcastes profundamente meu viver
És uma lembrança no meu dia-a-dia
Que tão logo não vai se esvanecer


Pois aqui reina uma intensa tristeza
De um convívio que foi bem pouco
Mas é necessário que preparado esteja
Para que quando acabe não fiques louco


Fostes em mim um inusitado Amor
Que bruscamente assim me iludiu
Não pensei que me traria tanta dor
Um amor que quase não existiu


Para K. Matos

domingo, 15 de janeiro de 2012

Pequeno

Não chore meu pequeno, minha culpa se materializa nas suas lágrimas
No seu olhar por natureza triste que agora se desespera por conta do meu egoísmo
Há sim pessoas boas que vivem o que for sendo e estão preparadas para o mundo
Há quem nunca esteja e toda perda traz à tona essa inaptidão
O amor é valioso mas ao mesmo tempo perigoso
Você mente, eu sofro, você age com frieza, eu surto, você se isola e eu vou te buscar
Te busquei de forma errada e ainda tirei seu mundo e o coloquei em outro que ainda não estava construído
Agora você tenta se equilibrar para não cair em um buraco negro
Você ainda cheira em mim como uma fruta, suculenta, porém de textura frágil
Era você meu pequeno, meu orgulho
Meus olhos, agora taciturnos pois, sem o prazer de te observar e tocar tua linda existência
Era sua tristeza meu amor, era somente sua tristeza, e fazíamos disso felicidade
Eu tentei nadar, eu juro, eu tentei ser um habituado a ausência surpresa
Mas mesmo com tanto amor o medo ainda me guiava
Eu estava me afogando no seu mar, na sua volatilidade
Ah meu amor, ainda o tenho assim, sem nada mudar, por que fiquei louco
Você me odeia, entendo tudo
Não me odeie agora por que quero pensar que mesmo tendo tirado seu mundo no meu mais completo desequilíbrio, acredito piamente que seja capaz de construir um novo mundo onde poderá habitar e viver o que for sendo com aptidão

sábado, 14 de janeiro de 2012

Pesadelo

Eu, por natureza triste
Eu, por natureza pensante
Eu, por natureza paranóico
Eu, por natureza, desejo alegria
Eu, por algo maior do que eu, machuquei pessoas tão boas
Eu preciso de algo que me situe
Olho o mundo, olho as coisas
Parece que só consigo ser isso
Ainda reside em mim o sonho, mesmo sofrido e desgastado, de recuperar ou mesmo ganhar a beleza
A beleza de encontrar o mundo e isso não ser torturante

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Fada


Sou triste por não te ter
Sou assim, sem esperanças
Por ter em mim uma lembrança
Do que não vai acontecer

Sou tão solitário entre todos
Pois ninguém é companhia
Se não você, quem me traria
Vida feliz, cheia de gozos?

Eu sou a vida acabada
Um menino sem um homem
E que talvez até ontem
Seguia reto a sua estrada

Tudo em mim é triste e distante
Vivo chorando no meu quarto
Meus pesadelos, que estou farto
Não me deixam um só instante

Sou o tudo e o nada
O que sou é o que sinto
Mas se perguntam, logo minto
Que sou feliz como uma fada.

Ciclo

Anticoncepcional
Não-conceber isso como verdade
Tomar constantemente o erro e o seu desastre
A atualidade dessa não-concepção
Recente como a consciência fervendo de um crime hediondo
Remorso requentado diariamente
O ciclo se inicia, números inteiros, reta numérica oscilante, medição imprecisa; em fim, tudo é atual
Não-conceber:receita nova, mudança de atenção
Matar a estética e somente observar
O neutro do amor remediado com alguma forma de não-conceber o sentimento instável e deixá-lo vagando no organismo sem, contudo, fecundar seu não-maniqueísmo torturante
O simples, o bobo, a infelicidade comum inconsciente!
Volto a cultuar, volto a cultuar.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Sentindo Isso


Durante algum tempo nem percebi
Era louco
Estava morto
Olhei-me lentamente
Vi apatia, melancolia...
Chorei ontem
Senti tanto
O que fizeram comigo?
O que há em olhos amarelos?
Só procuro, nada mais
Tenho sentimentos, tenho raiva
Você nem me conhece e me abandona
Estou dolorido
Suas palavras sem motivos...
Por isso chorei? O que fiz?
Eu queria tão pouco
Realmente sou repugnante
Você tem um lindo bumbum
Estou sem nexo agora (sempre).